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Poliamor: uma nova forma de relacionamento

22/04/2010

Por Juliana Narimatsu

Caro leitor, você sabe o que é Poliamorismo? Pois é, caso você não esteja satisfeito com a sua relação, o poliamor pode ser a solução dos seus problemas. Então, leitor, se acomode na frente do seu computador, pois o Pura Volúpia irá discutir sobre esse assunto.

O que é?
A tradição monogâmica acredita que a cada indivíduo cabe uma “alma gêmea” (a metade da laranja…), ou seja, um parceiro ideal que irá suprir todas as necessidades. Já o poliamorismo é um termo que descreve as relações interpessoais amorosas que não crêem nesse princípio da monogamia; e sim, na possibilidade prática, sustentável, consciente e responsável de se relacionar com vários parceiros simultaneamente. Assim, o poliamor é estar aberto para a possibilidade de gostar e relacionar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
O poliamor tem como ideal admitir uma variedade de sentimentos que desenvolvem com vários parceiros e que vão além da relação sexual. Para os poliamoristas, segundo Cartilha divulgada no Terra, o sexo é um complemento secundário.
A base do poliamorismo é a honestidade e o compromisso entre os envolvidos. A fidelidade dos parceiros não se refere à posse do outro, e sim à confiança mútua no envolvimento e que estejam a par da situação, sempre confortáveis com ela.
O fato de um ou ambos os parceiros sentirem interesse por outras pessoas não implica na insuficiência ou inadequação do parceiro inicial. Na verdade, significa que há a possibilidade de desenvolver um outro e novo relacionamento, com diferentes níveis de interação com a relação pré-existente, mas que não anula sua importância.
O ciúmes é algo que intriga em qualquer relacionamento, pois é visto como a insegurança entre os parceiros. Assim, segundo a Cartilha, os poliamoristas devem aprender a lidar com o ciúmes e saber dividir seu relacionamento.

Um pouco de história
O poliamor como movimento surgiu em meados dos anos 80 nos Estados Unidos. Na Europa, movimentos começaram a crescer na Suíça, Alemanha e Reino Unido.

Passeata em São Francisco, 2004.

Em novembro de 2005 houve a primeira Conferência Internacional sobre Poliamor – Internacional Conference on Polyamory & Mono-Normativity – em Hamburgo, na Alemanha.
A Conferência debateu questões como: que tipo de regras devem ser estabelecidas em relações múltiplas, qual é a responsabilidade das pessoas que querem manter vários parceiros sexuais, ou, como lidar com o ciúmes.
“Eu vim para ver e conhecer as pessoas que amam mais do que uma pessoa.”, comentou uma participante suíça, “Onde vivo, conheço muita pouca gente que compreenda realmente o meu modo de vida. Mas, aqui, não sou a única, e tenho a oportunidade de aprender muito de outras pessoas que seguem o mesmo modelo polifidelidade de vida que eu.”.

Saiba mais: International Conference on Polyamory and Mono-Normativity, Memorandum Gwendolin Altenhöfer for SERGEJ.

Diferenciais
Você, caro leitor, deve estar se perguntando qual seria, então, a diferença entre poliamorismo, poligamia e relação aberta.
A poligamia, praticada em algumas culturas, é o casamento de uma pessoa com várias outras simultaneamente. Já o poliamorismo, como já dito, é você amar e ser amado por mais de um parceiro ao mesmo tempo.
Para a psicanalista, sexóloga e escritora Regina Navarro Lins, um relacionamento poliamorista não pode ser considerado necessariamente um relacionamento aberto. “No relacionamento aberto cada um pode sair, ter sua vida, independentemente do outro, e você pode comentar ou não sobre as outra pessoas com as quais se relacionou. Mas a maioria não comenta, pois hoje ainda geraria sofrimento ao saber. O poliamor vai além, ele pretende que seja natural para todo mundo, amar e ser amado por outra pessoa. Os poliamoristas alegam que o ciúme não existiria na medida em que você não será trocado por outro, porque você não precisaria abrir Mao de ninguém para estar com outra pessoa. Por esses motivos eu acredito que a relação aberta se diferencia do poliamor, porque esse é muito mais aberto e tranqüilo”.

Vantagens e desvantagens (Segundo a Cartilha)
Vantagens: redução de stress, economia doméstica – pois envolve mais de duas pessoas –, maior satisfação sexual, aprendizado de tolerância, clareza dos sentimentos, paz de espírito afetivo e educação conjunta dos filhos.
Desvantagens: casa maior, faz necessário possuir habilidade de negociação, aprender a lidar com o repúdio e a incredulidade social, além do ciúmes e sentimento de posse.

Adeptos e não adeptos
Questionamos a algumas pessoas sobre o poliamorismo e se elas gostariam de adotar esse tipo de relacionamento na sua vida. “Não, de jeito nenhum. Eu acho que quando estou com uma pessoa, eu quero a atenção dela só pra mim.”, fala L. M., 19 anos.
Grande parte dos “não praticantes” do poliamor acham que esse tipo de relação é impossível de ser duradoura. “Eu não gostaria. Mas se possui um consentimento não vejo problema. Eu acho que não dá certo, porque uma hora a pessoa pode trocar seu parceiro por outro”, comenta R. F., 19 anos. O mesmo pensa Hypatia, participante do fórum do Yahoo respostas “Não acho que esse tipo de relacionamento seja a melhor opção, pois haveria quantidade e não qualidade”.
Entretanto, os poliamoristas mostram o contrário. De acordo com Diana, 31, após ter decidido adotar o poliamor em sua vida, por sugestão do namorado, tudo ficou melhor, “Apesar do amor que sentimos um pelo outro, a curiosidade natural de experimentar outras pessoas veio à tona e o conflito entre amor e curiosidade foi muito forte. Mas eu não queria me casar com um homem que passaria o resto da vida frustrado e que isso o afetasse demais, poderia ocasionar traições. Foi difícil chegar a essa decisão, mas foi o melhor”. Da mesma maneira pensa Marceli, 25, que se relaciona com um homem e uma mulher, onde moram juntos e funcionam a três anos, “Há quem pense em orgia ou promiscuidade, mas é uma relação baseada na cumplicidade, respeito e sinceridade. É viver sem mentiras nem com o peso da culpa por manter um caso extraconjugal”.
Segundo a advogada Lindsay Custódio, 27 anos, uma pessoa não é capaz de complementar a outra. “Já permiti que meu ex-namorado tivesse um relacionamento com outra pessoa. Não me incomodaria, nem me sentiria culpada em conhecer outra pessoa, assim como adoraria que aceitassem o fato de eu poder me relacionar com outra pessoa ao mesmo tempo”, relata Lindsay, “A maioria das pessoas não aceitam esse tipo de comportamento, seja por razões religiosas ou devido à errônea crença de que amor requer exclusividade”.

Mais informações
Para aqueles que querem saber um pouco mais sobre esses diferentes tipos de relações amorosas – entre eles, o poliamorismo –, existem alguns livros que tratam sobre esse assunto, como, por exemplo, “Amor a Três” de Flávio Braga e Regina Navarro Lins; e “Dona Flor e seus dois maridos” de Jorge Amado

Livro "Amor a Três"

Também existem alguns filmes que se basearem nesse tipo de relacionamento, como “The Dreamers” e “Les Chansons d’amour”.

Conte-nos sobre suas dúvidas e sugestões pelo e-mail blogpuravolupia@gmail.com e siga o @pura_volupia no Twitter!

2 comentários

  1. Acho que o poliamor é possível, e não é coisa doa anos 80. Tá dentro das possibilidades do amor livre, livre de contratos sociais.
    Eu gosto de “namorar”, mas não creio em vinculo eterno e tal…gosto de certa monogamia enquanto durar o namoro, mas o outro é livre pra acabar com isso a qualquer hora, a “exclusividade” que peço é muito mais por segurança do que por sentimento de posse. Sentimento de posse nunca!


  2. é galera…relacinamento a três não me atrai muito nao..hahaha Mas achei muito legal o texto, Ju! Não sabia dessa nomenclatura “poliamor”. Parabéns🙂



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